Estava zapeando pela TV dia
desses quando encontrei, por acidente, uma reprise de "com a bola toda" (ou algo assim)
Não precisa pesquisar no
Google, eu resumo.
Afundado em dívidas, ele
terá que ver seu estabelecimento ser anexado por seu rival, que se tornou um
verdadeiro magnata da boa forma - Ben Stiler interpreta o vilão, dono do maior
empório de academias da história da América.
Qual a solução para evitar
esse destino trágico? Entrar num torneio de queimada (?) nacional (??) com uma
premiação de 50 mil dólares (??!?!)
Claro que o time de Vince
Vaugh é horrível, a ponto de perder a primeira partida para um grupo de
menininhas bandeirantes...
Conforme a história vai
evoluindo, entretanto, e eles passam por montagens de treinamento, o time
torna-se cada vez mais apto a vencer o torneio.
Bem clichêzão para filmes do
tipo.
Daí chega o jogo final,
justamente contra o supertime montado por Ben Stiler... E os heróis perdem.
Não, é sério. Eles perdem.
Vince Vaugh é
"queimado" por último, os vilões comemoram, a tela fica preta e os
créditos finais sobem.
Esse é o fim do filme.
Ou, ao menos, foi assim que
ele foi concebido.
É assim como deveria ser.
Antes do lançamento oficial,
rolou um teste de plateia.
Pra que um filme seja
minimamente relevante, ele precisa transimitir uma mensagem.
Havia uma mensagem neste,
acredite ou não: "nem sempre é possível superar as adversidades."
O público não entendeu.
"Não se pode ganhar
todas."
O público não gostou.
"A Starbuckização
globalização é inerente ao progresso e, portanto, irrefreável."
O público detestou.
O estúdio então mandou mudar
tudo e o filme teve que ser refilmado, agora com um final feliz
- É um final feliz que vocês
querem? - Diseram os indignados roteiristas - então vocês vão ter o final mais
feliz de todos!
Num arroubo de otimismo e
positividade, uma regra obscura salva Vince Vaugh da eliminação, seu time vence
o torneio, ele fica milionário numa aposta escusa e certamente ilegal em si
mesmo, recompra sua academia - e aproveita o embalo para adquirir toda a rede
de academias do vilão também - demite Ben Stiler, conquista a garota de seus
sonhos, todos são felizes para sempre é além.
Tudo aquilo que quem assiste
a Sessão da Tarde já viu 1 milhão de vezes. Tudo bem sem graça. Tudo bem bege.
O filme tentou ser
diferente. O público não aceitou. Eles quiseram mais do mesmo.
Não à toa há um ditado que
diz: "quando as pessoas têm o poder da escolha, elas escolhem
errado".
Um filme diferente tornou-se
um filme bem meia-boca.
Só o que nos restou do final
original foi uma cena pós-créditos com Ben Stiler se juntando aos Vingadores
quebrando a quarta parede para dar um esporro no público mimado – e, por
tabela, em todos nós
“Espero que estejam felizes.
Mocinho vence, vilão perde. Que
surpresa!
Eu amo finais felizes...
Sabem, esse é o problema com
o cinema americano. Ele não suporta a mínima complexidade:
“Não me faça pensar! Eu só quero
ser entretido!” – Tá, que seja.
Se a carapuça serviu,
aproveitem isso.
(número músical)
Felizes? Os gordos são
engraçados?”
É uma pena, Ben.
Não foi dessa vez que você
conseguiu provocar uma reflexão no público médio de cinema.
Mas obrigado por tentar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário