segunda-feira, 19 de março de 2018

Mais do mesmo, por favor


Estava zapeando pela TV dia desses quando encontrei, por acidente, uma reprise de "com a bola toda" (ou algo assim)
Não precisa pesquisar no Google, eu resumo.
Vince Vaugh é o dono de uma academiazinha chumbrega à beira da falência.
Afundado em dívidas, ele terá que ver seu estabelecimento ser anexado por seu rival, que se tornou um verdadeiro magnata da boa forma - Ben Stiler interpreta o vilão, dono do maior empório de academias da história da América.
Qual a solução para evitar esse destino trágico? Entrar num torneio de queimada (?) nacional (??) com uma premiação de 50 mil dólares (??!?!)
Claro que o time de Vince Vaugh é horrível, a ponto de perder a primeira partida para um grupo de menininhas bandeirantes...
Conforme a história vai evoluindo, entretanto, e eles passam por montagens de treinamento, o time torna-se cada vez mais apto a vencer o torneio.
Bem clichêzão para filmes do tipo.
Daí chega o jogo final, justamente contra o supertime montado por Ben Stiler... E os heróis perdem.
Não, é sério. Eles perdem.
Vince Vaugh é "queimado" por último, os vilões comemoram, a tela fica preta e os créditos finais sobem.
Esse é o fim do filme.

Ou, ao menos, foi assim que ele foi concebido.
É assim como deveria ser.

Antes do lançamento oficial, rolou um teste de plateia.
Pra que um filme seja minimamente relevante, ele precisa transimitir uma mensagem.
Havia uma mensagem neste, acredite ou não: "nem sempre é possível superar as adversidades."
O público não entendeu.
"Não se pode ganhar todas."
O público não gostou.
"A Starbuckização globalização é inerente ao progresso e, portanto, irrefreável."
O público detestou.

O estúdio então mandou mudar tudo e o filme teve que ser refilmado, agora com um final feliz
- É um final feliz que vocês querem? - Diseram os indignados roteiristas - então vocês vão ter o final mais feliz de todos!
Num arroubo de otimismo e positividade, uma regra obscura salva Vince Vaugh da eliminação, seu time vence o torneio, ele fica milionário numa aposta escusa e certamente ilegal em si mesmo, recompra sua academia - e aproveita o embalo para adquirir toda a rede de academias do vilão também - demite Ben Stiler, conquista a garota de seus sonhos, todos são felizes para sempre é além.
Tudo aquilo que quem assiste a Sessão da Tarde já viu 1 milhão de vezes. Tudo bem sem graça. Tudo bem bege.

O filme tentou ser diferente. O público não aceitou. Eles quiseram mais do mesmo.
Não à toa há um ditado que diz: "quando as pessoas têm o poder da escolha, elas escolhem errado".
Um filme diferente tornou-se um filme bem meia-boca.
Só o que nos restou do final original foi uma cena pós-créditos com Ben Stiler se juntando aos Vingadores quebrando a quarta parede para dar um esporro no público mimado – e, por tabela, em todos nós


 “Espero que estejam felizes.
Mocinho vence, vilão perde. Que surpresa!
Eu amo finais felizes...
Sabem, esse é o problema com o cinema americano. Ele não suporta a mínima complexidade:
“Não me faça pensar! Eu só quero ser entretido!” – Tá, que seja.
Se a carapuça serviu, aproveitem isso.
(número músical)
Felizes? Os gordos são engraçados?”


É uma pena, Ben.
Não foi dessa vez que você conseguiu provocar uma reflexão no público médio de cinema.
Mas obrigado por tentar.


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