domingo, 11 de novembro de 2018

Pay4Play


Vivemos em um mundo globalizado (adorava começar minhas redações do colégio assim), e praticamente toda empresa ambiciona contratar um time de futebol que estampe sua marca no peito.
Às vezes bem mais que o peito, se é que me entendem.
belíssimo uniforme esse, do Patrocinese de Governador Valadares
Patrocinar um time campeão, então, é certeza de doces lembranças eternamente associadas à marca.
Toda vez que eu vejo um balde de tintas Suvinil, eu me lembro automaticamente do Marcelinho Carioca acertando uma cobrança de falta no ângulo (e com um sorriso estampado no rosto).

esse f.d.p. fazia isso todo final de semana
Da mesma forma, ao ver uma garrafa de iogurte Batavo eu imagino Ronaldo Fenômeno humilhando o Fábio Costa.
eu devia ter usado essa imagem no começo do texto
E eu não sei o que a Neoquimica vende, mas eu estaria muito mais propenso a escolher sua marca antes da dos concorrentes (seja lá quais forem eles).

mano, como é que esse obeso fazia tanto gol?
Tal tipo de ligação positiva é o sonho de algodão de qualquer marketeiro (essa expressão existe?).
Entretanto, como tudo na vida, há um efeito colateral. Uma das coisas que deveriam ser consideradas na hora de contratar esse tipo de serviço é a rejeição.
Explico:
Em 2005 o Corinthians do ̶t̶r̶a̶i̶d̶o̶r̶ Carlitos Tevez foi campeão brasileiro patrocinado pela coreana Samsung com direito até a comercial personalizado de 1 minuto no intervalo do Fantástico (era moda na época).
Nos três anos seguintes, o rival São Paulo construiu uma pequena hegemonia na mesma competição impulsionado pela também fabricante de televisores LG.
Se no dia que eu for que comprar uma TV houver essas duas marcas competindo, minha já decisão está tomada - e não há papo de vendedor que vá me convencer.
imagem meramente ilustrativa
"mamei na Parmalat, cresci e fiquei forte
meu nome é Palmeira, um Guarani com sorte"
- autor desconhecido
O singelo versinho acima ilustra porcamente (trocadilho intencional) o sucesso na década de 90 de nosso maior rival.
Aqui vale ressaltar que, até hoje, mesmo após a falência dos donos originais da empresa (hahaha) eu evito ao máximo comprar leite Parmalat. Isso só acontece caso seja a única opção disponível na prateleira do mercado - e, acreditem, nunca é.
esse não sou eu, mas minha mãe tem uma foto minha vestido assim
Eu não compro produtos de churrasco Ceara por causa do Ganso dançando rebolation no comercial

Eu deixei de abrir conta no banco Caixa Econômica porque eles pararam de patrocinar meu time e continuaram patrocinando os outros
 ̶ ̶m̶a̶l̶d̶i̶t̶o̶s̶

Eu cogitaria pedir um empréstimo a agiotas antes de pedir à Crefisa.

Quem não torce pode não entender, mas uma parcela considerável dos brasileiros são apaixonados por futebol. Expor sua marca a tanto amor (e, ao mesmo tempo, a tanto ódio) realmente vale a pena? Vale o risco?
Aproveito a oportunidade para anunciar em primeira mão que a EpileFilmes irá patrocinar o Atlético Baianiense em sua próxima temporada. O contrato é válido por 3 temporadas (a menos em caso de rebaixamento ou classificação pra Libertadores) 

(EDIT - 06/mai/2019) - Caso tenha algum interesse mais extenso em relação ao tema, a Folha de São Paulo publicou hoje um estudo sobre a evolução dos patrocinadores https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2019/05/camisas-de-futebol-explicam-a-evolucao-economica-brasileira.shtml

Nenhum comentário:

Postar um comentário