E
se Clark Kent, ao invés de ser heróico e caridoso, fosse amargurado
e egoísta?
Brandon
Breyers é o garoto default
que se vê como predestinado ao sucesso. Ele acredita ser superior
aos demais – e é justamente esse o dilema do garoto. O problema não
reside naquilo que Brandon é, mas sim naquilo que ele acredita ser.
Frustrado, negado e amargurado
(desculpem a cacofonia, não quis procurar sinônimos pra esses “ado”
em sequência), Brandon não possui, dentro de toda sua extraordinária inteligência,
ferramentas necessárias para lidar com questões sociais.
Atormentado, ele sofre.
Cercado
de figuras autoritárias que só se dispõem a ouví-lo após
descobrir que o menino é uma ameaça, Brandon jamais consegue aquilo
que quer das pessoas.
Não consegue ser amado. Não
consegue ser respeitado. Não consegue entender ou ser entendido. Um
verdadeiro alienígena.
“Eu
só queria ser bom! Me ajuda a ser bom!” - quando finalmente
Brandon se vê, percebe que não é um gênio do mau, apenas
um garoto levado que não pode ser punido, e nem quer – embora
mereça e saiba disso. Sua mãe, entretanto, é incapaz de aceitar o
monstro que ele se tornou. O monstro que ela criou debaixo do próprio
teto. Ela, que no começo do filme jurou amor eterno e incondicional,
tenta agora literalmente apunhalar o próprio filho pelas costas, se
valendo de sua única fraqueza.
Tudo muito tarde.
BrightBurn
é assustador, não porque é sobrenatural, mas sim porque é real
demais. A diferença é que,
nessa história, ao invés de usar o rifle semi-automático que
ganhou de aniversário do tio, Brandon usa seus ossos de aço, pele
invulnerável e força descomunal para voar a mais de 500 Km/H e
descarregar sua fúria em sobre aqueles que ele julga serem
responsáveis por seu sofrimento – no caso todos, menos ele próprio.
Nota: 3,0/5


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