É
difícil acreditar que o mesmo autor de “Pulp Fiction” seja o
responsável por “Era uma Vez Em Hollywood”. Não é como se
Quentin Tarantino não soubesse amarrar uma história... ele é um
dos melhores nisso! Fica difícil entender como “E.U.V.E.H.” tem
tanta massa que não cumpre propósito nenhum além de esticar a
duração desse filme que já tem quase 3 horas.
É
claro que, em se tratando de Tarantino, é bem provável (quase uma
certeza) que eu seja idiota demais pra perceber as nunaces daquilo
acontece. Por isso vou dar a ele o benefício da dúvida ao
compartilhar aqui minha confusão em relação à película.
excesso
Até
agora, eu não consegui entender porque Margot Robbie está no filme.
Se você retirar absolutamente todas as cenas em que ela aparece, a
história do filme permanece literalmente a mesma. Por que dar a ela
várias cenas, todas longas? Era pra cirar empatia? Se esse é o
caso, então por que ela não faz nada quando está em cena? Não há
conflito, não há tensão, não há um diálogo marcante. Sim,
Margot é bonita, mas uma pedra maquiada teria produzido o mesmo
resultado que ela. Ouso dizer que a atendente da bilheteria é um
personagem mais bem construído do que ela, pois ela cumpriu seu papel
na história em 2 minutos e foi embora, enquanto Margot ficou
enchendo linguiça por muito mais tempo. O filme não apresenta
qualquer razão para criar vínculo emocional com a personagem. Eu
deveria estar torcendo com todas as forças para que ela sobrevivesse
no final? Na verdade, se ela morresse ou não, não faria a mínima
diferença, seja narrativa, seja emocional. Simplesmente não entendi
porque dar tanto espaço pra uma personagem tão irrelevante num
filme tão longo.
Não
paro por aí. Eu também não entendi porque tantas cenas do John
Wilkes Booth dirigindo seu carro. É realmente preciso ficar
mostrando tantas músicas no rádio e recriar trajetos tão longos só
pra que eu veja os carros antigos? Eu entendi, o filme se passa na
década de 60. Uma dalha teria o mesmo efeito. Esse tempo
desperdiçado nessas montagens monótonas poderia ser usado pra
contar, sei lá, uma história. Algo que esse filme tem muito pouco
por sinal. (Mas não fui eu quem ganhou um Oscar por melhor roteiro, então não sei do que estou falando)
agora,
uma pausa
Perdoe
a presunção, mas imagino que, alguma vez durante a sua vida, você
tenha escutado alguma música que rime(desculpa se você for surdo).
Se você não ouviu, acredito que, ao menos, tenha aprendido rimas na
escola. Sei lá, não quero me meter na sua vida, mas... Tendo isso
em mente, gostaria que você tentasse rapidamente preencher as
lacunas da letra abaixo:
”Eu canto a realidade
Você sabe muito BEM
Mas tem dias que tu acorda
e a rima não _________
Aí tu tenta concentrar
Tenta ESCLARECER
Mas nenhuma ideia boa
Aparece pra você _________
A saga pela inspiração
Não vai ACABAR
Eu sei que a rima vai ser boa
Quando ela _________
Nego torto acha que é fácil
Meter rap por AÍ
que é só eu contar
as coisas ruins que eu _________
Mas a realidade é f#$@
E sempre tá PRESENTE
Nem sempre é genial
O que sai da tua ___________
Escrevo uma palavra
Depois duas, TRÊS
A impressão é que eu passaria
Aqui um __________
Tentando nessa batida
Algo ENCAIXAR
porque o refrão é logo mais
Ele já vai ____________”
Você completou as lacunas? Se sim, se não, escute agora a interpretação na voz adocicada de Rafael Queiroga
(Olha, a Tatá Werneck está nessa música! Lembram-se quando ela era humorista? Antes de ir pra Globo?Enfim, me desvio do assunto)
Nossa!
Vocês viram como ele subverte as espectativas?! Rafael Queiroga é
um verdadeiro gênio da comédia brasileira! Não é?!
Não
é?
Por
que ele não foi indicado a um Grammy? Um Emmy?
Será
que é porque apenas subverter espectativas não é o suficiente
para definir se uma obra possui ou não os devidos méritos
artísticos?
Não
sei responder. Mas, por quase 180 minutos, é isso que “Era Uma Vez
Em Hollywood” faz com seu espectador. As tramas nunca começam, as
que começam não terminam, tudo é jogado pro alto, nada volta
depois. Nossa, com ele é inteligente.
em
suma
Minha opinião não importa, o que importam são fatos e, contra
eles, não há argumentos: enquanto a obra de Tarantino está sendo
adorada mundo afora e ovacionada em Cannes, Rafael Queiroga passa as
noites vendendo seu corpo em troca de comida em alguma favela no
Bairro do Botafogo. E eu não vejo diferença entra a obra dos dois.
Era
Um Vez em Hollywood – Nota: 2,1/5
PS:
Exceto, claro, por aquele maravilhoso plano sequência no saloon. E
pelo lança-chamas. E pelo... Droga! Tem tantas cenas boas nesse
filme que eu estava criticando!
PSS:
Viram?! É por isso minha indignação! Por que um diretor que sabe
fazer cenas tão boas as intercala num monte de cenas opacas e sem
peso narrativo? Não, eu não entendi...
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