domingo, 18 de agosto de 2019

Era Um Vez em Hollywood e Comédia MTV


É difícil acreditar que o mesmo autor de “Pulp Fiction” seja o responsável por “Era uma Vez Em Hollywood”. Não é como se Quentin Tarantino não soubesse amarrar uma história... ele é um dos melhores nisso! Fica difícil entender como “E.U.V.E.H.” tem tanta massa que não cumpre propósito nenhum além de esticar a duração desse filme que já tem quase 3 horas.

É claro que, em se tratando de Tarantino, é bem provável (quase uma certeza) que eu seja idiota demais pra perceber as nunaces daquilo acontece. Por isso vou dar a ele o benefício da dúvida ao compartilhar aqui minha confusão em relação à película.


excesso
Até agora, eu não consegui entender porque Margot Robbie está no filme. Se você retirar absolutamente todas as cenas em que ela aparece, a história do filme permanece literalmente a mesma. Por que dar a ela várias cenas, todas longas? Era pra cirar empatia? Se esse é o caso, então por que ela não faz nada quando está em cena? Não há conflito, não há tensão, não há um diálogo marcante. Sim, Margot é bonita, mas uma pedra maquiada teria produzido o mesmo resultado que ela. Ouso dizer que a atendente da bilheteria é um personagem mais bem construído do que ela, pois ela cumpriu seu papel na história em 2 minutos e foi embora, enquanto Margot ficou enchendo linguiça por muito mais tempo. O filme não apresenta qualquer razão para criar vínculo emocional com a personagem. Eu deveria estar torcendo com todas as forças para que ela sobrevivesse no final? Na verdade, se ela morresse ou não, não faria a mínima diferença, seja narrativa, seja emocional. Simplesmente não entendi porque dar tanto espaço pra uma personagem tão irrelevante num filme tão longo.

Não paro por aí. Eu também não entendi porque tantas cenas do John Wilkes Booth dirigindo seu carro. É realmente preciso ficar mostrando tantas músicas no rádio e recriar trajetos tão longos só pra que eu veja os carros antigos? Eu entendi, o filme se passa na década de 60. Uma dalha teria o mesmo efeito. Esse tempo desperdiçado nessas montagens monótonas poderia ser usado pra contar, sei lá, uma história. Algo que esse filme tem muito pouco por sinal. (Mas não fui eu quem ganhou um Oscar por melhor roteiro, então não sei do que estou falando)

agora, uma pausa
Perdoe a presunção, mas imagino que, alguma vez durante a sua vida, você tenha escutado alguma música que rime(desculpa se você for surdo). Se você não ouviu, acredito que, ao menos, tenha aprendido rimas na escola. Sei lá, não quero me meter na sua vida, mas... Tendo isso em mente, gostaria que você tentasse rapidamente preencher as lacunas da letra abaixo:


Eu canto a realidade
Você sabe muito BEM
Mas tem dias que tu acorda
e a rima não _________

Aí tu tenta concentrar
Tenta ESCLARECER
Mas nenhuma ideia boa
Aparece pra você _________

A saga pela inspiração
Não vai ACABAR
Eu sei que a rima vai ser boa
Quando ela _________

Nego torto acha que é fácil
Meter rap por AÍ
que é só eu contar
as coisas ruins que eu _________

Mas a realidade é f#$@
E sempre tá PRESENTE
Nem sempre é genial
O que sai da tua ___________

Escrevo uma palavra
Depois duas, TRÊS
A impressão é que eu passaria
Aqui um __________

Tentando nessa batida
Algo ENCAIXAR
porque o refrão é logo mais
Ele já vai ____________”


Você completou as lacunas? Se sim, se não, escute agora a interpretação na voz adocicada de Rafael Queiroga

(Olha, a Tatá Werneck está nessa música! Lembram-se quando ela era humorista? Antes de ir pra Globo?
Enfim, me desvio do assunto)

Nossa! Vocês viram como ele subverte as espectativas?! Rafael Queiroga é um verdadeiro gênio da comédia brasileira! Não é?!
Não é?

Por que ele não foi indicado a um Grammy? Um Emmy?
Será que é porque apenas subverter espectativas não é o suficiente para definir se uma obra possui ou não os devidos méritos artísticos?

Não sei responder. Mas, por quase 180 minutos, é isso que “Era Uma Vez Em Hollywood” faz com seu espectador. As tramas nunca começam, as que começam não terminam, tudo é jogado pro alto, nada volta depois. Nossa, com ele é inteligente.


em suma
Minha opinião não importa, o que importam são fatos e, contra eles, não há argumentos: enquanto a obra de Tarantino está sendo adorada mundo afora e ovacionada em Cannes, Rafael Queiroga passa as noites vendendo seu corpo em troca de comida em alguma favela no Bairro do Botafogo. E eu não vejo diferença entra a obra dos dois.

Era Um Vez em Hollywood – Nota: 2,1/5

PS: Exceto, claro, por aquele maravilhoso plano sequência no saloon. E pelo lança-chamas. E pelo... Droga! Tem tantas cenas boas nesse filme que eu estava criticando!

PSS: Viram?! É por isso minha indignação! Por que um diretor que sabe fazer cenas tão boas as intercala num monte de cenas opacas e sem peso narrativo? Não, eu não entendi...


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