sábado, 14 de dezembro de 2019

O Melhor Jogador Ruim de 2019

Pelé. Rivelino. Falcão. Maradona. Zico. Zidane. Ronaldinho. Messi. 
De tempos em tempos, os gramados concebem um gênio com inacreditável controle de bola, controle mental do espaço-tempo digno de um supercomputador e coordenação motora superior a um mestre marcial de último Dan. 
Este artigo não é sobre eles...

Um jogo de futebol é disputado por 22 jogadores. 11 de cada lado. E ONZE é muito de qualquer coisa. É mais do que podemos contar nos dedos das mãos (a maioria de nós, pelo menos. Talvez você seja de Chernobyl, sei lá). 

É neste excesso que o futebol torna-se um esporte inclusivo. Basta colocar um punhado de craques num time que, de repente, sobra espaço para escalar um jogador ruim. Se for um time suficientemente bem entrosado, você NEM PERCEBE que tem um pereba ali no meio. Isso faz parte da magia do jogo.

Mas é possível ir além.

Em raras ocasiões, o caneludo alça voos mais altos. Ele se destaca.
Talvez ele seja um defensor, cuja gana pela vitória tenha feito com que defenda a própria meta com o mesmo vigor com o qual um samurai defende a honra de seus ancestrais.
Quem sabe ele seja um meio-campista que apropriou-se da missão de proteger a bola como se fosse seu primogênito.
Ou ainda pode ser um atacante que tomou inalações o suficiente para desentupir as narinas e recuperar o faro de gol, e desvendou não apenas o caminho das redes, como também um meio de trilhá-lo mesmo com os pés tortos e duas pernas esquerdas.
Fato é, chegou a hora de coroar O MELHOR JOGADOR RUIM DO ANO:


Andrew Robertson

Este escocês caneludo não sabe driblar, mas se sai bem ao dividir com os adversários, e a bola sempre acaba sobrando em seus pés. 
É afobado na marcação e afoito nos cruzamentos, mas ainda assim domina a faixa esquerda do campo. 
Chuta forte e sem direção mas, mesmo assim, a bola as vezes acaba encontrado as redes. 
Fundamental para que seu time conquistasse a Champions Liga desse ano.
Jogando pelo seu país, Robertson jamais conseguirá ser protagonista ou artilheiro. Não vai garantir uma classificação pra Copa do Mundo. Mas, num time recheado de craques, como esse Liverpool de 2019, sua ruindade torna-se virtude. Decisivo e fundamental. 
PARABÉSN, ROBERTSON!

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